Os 5 Erros
Eram 5:30 da manhã quando rosa saia pra trabalhar deixando seu filho, Sandro, dormindo. Moradora da periferia, Rosa sempre conviveu com a pobreza. Seu marido morreu a dois anos graças ao seu envolvimento no tráfico.
Sandro havia lhe prometido que não iria ser um bandido. Seu sonho era ser cantor de rap e morar nos EUA com sua mãe. Porém, Sandro não estudava, não trabalhava, não fazia nada. Ele não sabia que o seu destino estava prestes a mudar.
Após ser traído por sua namorada, Sandro ficou com raiva e cometeu o seu primeiro erro: roubou. O ex-companheiro da sua mãe havia saído da casa de Sandro faz algum tempo. Ele tinha ganhado um dinheiro com um trabalho e Sandro sabia daquilo.
Sandro arrombou a casa dele e pegou todos os duzentos reais que ele tinha e ainda levou uma arma que ele tinha guardada. Seu segundo erro veio depois de algumas horas. Sandro gastou todo o dinheiro com drogas. Como um efeito dominó, em pouco tempo ele já era um dependente.
Sua mãe mal tinha tempo de ficar em casa, por isso não percebeu a tempo que seu filho tinha mudado. Eram 5:30 da manhã e ela saíra novamente pra trabalhar. Ela não sabia que Sandro não tinha dormido em casa. Naquele dia, ele estava largado pela rua, sem rumo.
Era 16h quando Sandro perdeu o resto do sentido da sua vida. A polícia passava pela rua naquele momento e ele ficou com medo de ser preso. Nesse momento, Sandro cometia o seu terceiro erro: andar armado e o pior, com a arma à mostra. Ele entrou em uma lanchonete não muito cheia e se sentou.
Podemos agora dizer que ele chegou ao quarto erro. Após um cliente ver sua arma e chamar a polícia, Sandro anunciou o seqüestro. Naquele momento haviam 6 pessoas na lanchonete.
Acredito que Sandro não era um marginal. Ele era diferente. Ele não sabia o que fazer, não sabia porque fazer aquilo, ele só estava confuso, com medo, triste. Ele não queria matar ninguém, não queria roubar, ele só não via mais sentido na vida.
Rapidamente curiosos chegaram e uma multidão já era vista ao redor da lanchonete. Aos poucos Sandro foi liberando os reféns. Primeiro um senhora idosa e sua filha grávida. Ele ficou com medo de machucar aquele bebê que ainda nem tinha vindo ao mundo. Depois liberou um estudante. Sandro lhe disse pra estudar e ser alguém na vida, pra não ser alguém como ele. Agora restavam três mulheres lá dentro.
A polícia o pressionava e ele sabia que não iria sair vivo dali, mas nem por isso ele matou as reféns. Sandro estava nervoso, com medo. Ameaçou matar todas, mas ficou só em ameaças. Às 21h, ele não tinha mais forças pra lutar. Resolveu sair e aí veio o seu último erro: sair com uma refém e uma arma.
Depois de horas de tentativa, a polícia já não tinha mais paciência e estava a um passo de matá-lo. E foi isso que aconteceu.
Naquele instante, chegava Rosa, aflita, gritava pra não matarem seu filho, mas de nada adiantou, era tarde demais. Assim que Sandro se iludiu achando que por um minuto a polícia não iria matá-lo, começou a abaixar a arma. Era como se a primeira pedra de uma fila de dominós tivesse sido cuidadosamente empurrada, desencadeando uma sequência de acontecimentos.
Primeiro foram os gritos de alívio da multidão e logo depois, um tiro seguido de muito silêncio. O último dominó havia caído, Sandro estava no chão. A refém foi retirada e a multidão voltou a berrar e agora a polícia não conseguia mais conter o povo. Todos foram em cima de Sandro e o caos estava formado.
Sua mãe estava em prantos. Era o fim de uma vida marcada por cinco erros cruciais.